quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Impeachment pode prejudicar o Brasil?


Não creio em uma ruptura institucional...

Acredito sim em uma reorganização nos fundamentos dos partidos políticos e em suas ideologias, além de uma profunda reformulação da consciência moral e ética de seus líderes e também do eleitor, por entender que a causa da existência desses partidos, o povo brasileiro, está deixando bem nítida a sua completa insatisfação e descrédito no modelo hoje aplicado por TODAS essas agremiações político partidárias.

Economicamente o Brasil JÁ está FALIDO, não tem outro viés para o que já está posto... O Estado Brasileiro não tem nem CRÉDITO FINANCEIRO nem IMAGEM POLÍTICA confiável, perante a comunidade internacional, com as lideranças que hoje dirigem esta Nação...

A ÚNICA possibilidade de uma mudança de rota, pois navegamos de encontro ao iceberg da bancarrota internacional, mas deve ser uma MUDANÇA DRÁSTICA nas formas da gestão pública atual, extremamente política e nem um pouco técnica - além de populista somente para fins eleitoreiros, para procedimentos EXCLUSIVAMENTE TÉCNICOS e levados à cabo por pessoas de renome e competência reconhecidos nas áreas fins. Dessa forma, o mundo perceberia o Brasil como país PROBO e CONFIÁVEL para investimentos.

E para afirmar meus pensamentos, basta olhar para fatos muito recentes...

Durante o ano eleitoral de 2014, com o movimento pré campanha de Eduardo Campos e Aécio Neves sendo bem visto pela população e pela comunidade internacional, houveram oscilações positivas nas Bolsas Mundiais, dos papéis lançados por estatais brasileiras, como a Petrobras e a Vale, sendo que a primeira já apresentava sinais claros e divulgados de prejuízos causados pela corrupção institucionalizada pelo PT, através da divulgação de relatórios financeiros maquiados e enganadores...

Isso é estatística, não são meras suposições...

Agora vem o acolhimento do pedido de impeachment... o que posso dizer???

O MUNDO todo espera que isso aconteça... Tanto que as ações da PTrobras, depois do anúncio, tiveram alta de 4% na Bolsa de Nova York... Se levarmos em consideração que se passaram apenas algumas horas do anúncio e essa valorização já aconteceu - e nesse percentual, quando chegarmos aos finalmente, a Petrolífera Brasileira será a Número 1 do planeta e a economia do nosso País será alavancada por Bilhões de dólares em investimentos estrangeiros... e isso não é ESPECULAÇÃO NÃO... ISSO É FATO!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A ESSÊNCIA DO SER HUMANO

Por Josias Dias da Costa




"Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra" (Carlos Drummond de Andrade)
"Olhai os lírios do campo, que não fiam nem tecem" (Jesus Cristo)
Uma pedra nasce e cresce de fora para dentro, num processo que leva milhões de anos. Ela se encontra aquietada, dentro de seus limites, naquilo de que é constituída, tendo como característica a sua rigidez. Uma flor, mesmo que seja inspiração para as mais belas poesias, também manifesta um movimento limitado e suas pétalas podem vir abaixo por alguém que queira verificar se "o bem" ou se "o mal lhe quer". Já o ser humano não se aquieta no constituído e nem nos próprios limites. Ele se coloca como um projeto num processo de crescimento que se dá de dentro para fora, ao mesmo tempo em que os condicionamentos culturais e sociais do espaço e do tempo constituem para ele uma camisa de força para que seja moldado de acordo com os padrões existentes.
Diz Erich Fromm que "O homem era - e ainda é - facilmente seduzido para aceitar determinada forma de ser humano como sendo a sua essência. Mas a essência do ser humano não se define pela sociedade com a qual se identifica. Os grandes homens e mulheres foram aqueles que visualizaram algo que é universalmente humano". [1]
Na sociedade grega da era clássica, em que se buscava uma auto-compreensão fundamentada na razão, o ser humano passou a ser entendido como Homo sapiens, ou seja, aquele que ultrapassa o nível do senso comum, das opiniões enganadoras, para chegar ao conhecimento das coisas como elas realmente são.
Já a busca de uma auto-compreensão da sociedade moderna em seu nascedouro se fundamenta no conhecimento fundado na experiência do que é tangível, manipulável, ou que esteja ao alcance dos sentidos. O ser humano moderno, no afã de fazer coisas, de se apropriar delas e de acumulá-las, chegou a definir a sua essência pela sua atividade industriosa, transformando-se noHomo faber. Mas, considerando-se que a sociedade industrial dos dois últimos séculos, que estabeleceu a globalização como meio eficaz para estabelecer o mercado de consumo, criou como mecanismo de controle da mão-de-obra um exército imenso de desempregados ou de pessoas que não se situam na esfera do mercado, a essência do ser humano não pode ser o que ele faz, nem mesmo no âmbito da sociedade industrial, visto que, dessa forma, a maioria dos povos da África, Ásia e América Latina estaria excluída dessa noção de humanidade.
As sociedades antigas e medievais formavam uma totalidade em que os indivíduos, integrados nos sistemas sociais existentes, nem sequer se percebiam como tais, uma vez que a consciência que se podia ter era a de uma existência associada à grande família, à religião, às normas estabelecidas e que muitas vezes eram vistas como de ordem natural ou divina. Já os teóricos liberais fazem da individualização do ser humano um dos fundamentos da sociedade moderna, juntamente com a propriedade, a liberdade, a igualdade e a democracia. Mas ao mesmo tempo esses teóricos escondem o fato de que a essa noção de humanidade não diz respeito à maioria dos indivíduos dessa sociedade, formada por aqueles que trabalham sem ter para si a recompensa proporcionada pelos frutos desse trabalho, que vão cair nas mãos de grupos que deles se apropriam e deles fazem seus instrumentos de poder.
A sociedade contemporânea é uma sociedade onde as ideologias buscaram camuflar a verdadeira essência do ser humano. Segundo Hannah Arendt, "... o pensamento ideológico emancipa-se da realidade que percebemos com os nossos cinco sentidos e insiste numa realidade 'mais verdadeira' que se esconde por trás de todas as coisas perceptíveis, que as domina a partir desse esconderijo e exige um sexto sentido para que possamos percebê-la". [2]
Este sexto sentido é fornecido pela doutrinação ideológica presente nas instituições educacionais e particularmente nos meios de comunicação de massa, em que se faz de tudo para "libertar o pensamento da experiência e da realidade" procurando sempre injetar um "significado secreto" em cada evento público e farejar "intenções secretas" atrás de cada ato político, de tal forma a fazer acreditar que aquilo que se diz da realidade seja o que realmente é.
E a tendência dos indivíduos, perdidos no meio da massa, é deixar-se conduzir pela maioria, escondendo-se atrás de uma essência que não lhes pertence, uma vez que é determinada pelos condicionamentos socioculturais. Jung explica tal fenômeno com as seguintes palavras: "O movimento de massa resvala, como se pode esperar, do alto de um plano inclinado estabelecido pelos grandes números: a pessoa só está segura onde muitos estão; o que muitos acreditam deve ser verdadeiro; o que muitos almejam deve ser digno de luta, necessário e, portanto, bom; o poder se vê forçado a satisfazer o desejo de muitos. Mas o mais belo mesmo é escorregar com leveza e sem dor para a terra das crianças, sob a proteção dos pais, livre de qualquer responsabilidade e preocupação. Pensar e preocupar-se é da competência dos que estão lá no alto; lá existem respostas para todas as perguntas e necessidades. Tudo o que é necessário encontra-se à disposição. Este estado onírico infantil do homem massificado é tão irrealista que ele jamais se pergunta quem paga por esse paraíso. A prestação de contas é feita pela instituição que se lhe sobrepõe, o que é uma situação confortável para ela, pois aumenta ainda mais o seu poder. Quanto maior o poder, mais fraco e desprotegido o indivíduo". [3]
A massificação, ainda segundo Jung, abre o caminho para a tirania, que se sente mais livre na escolha de seus métodos do que a instituição que tem que dar explicações ao indivíduo. Com a tirania, sempre imoral e perversa, a liberdade do indivíduo se transforma em escravidão física e espiritual.
Indivíduos que promovem a tirania são imaturos e fazem da força seu mecanismo de defesa. Às vezes eles cedem diante da pressão dos grupos que defendem a cidadania, ou seja, a emancipação dos indivíduos, mas buscando sempre canalizar as consciências dos indivíduos para o âmbito das massas, para que eles não tenham pensamento próprio e façam de seu pensamento uma continuidade daquilo que já está posto e determinado de cima para baixo.
A realidade é, contudo, dinâmica e o seu dinamismo se explica pelo fato de que por trás de cada indivíduo, há um ser humano que, pela sua natureza, é um ser que se lança a caminho, sempre irrequieto, em busca da realização de seus desejos. Se a realidade é desfavorável aos indivíduos e lhes apresenta barreiras que lhes parecem intransponíveis, a tendência desses indivíduos é caírem num estado de frustração, desespero, agressividade. Mas também podem despertar a sua consciência adormecida e encontrarem na esperança, que é um dos elementos essenciais da humanização de nosso ser, a força para viver e construir um mundo novo, sabendo que, para essa construção terá de enfrentar a realidade presente que é o seu ponto de partida. Pois, como diz Ralph Linton: "Durante a vida do indivíduo jamais termina o processo da criação e integração das novas reações e de extinção das antigas. Sem essa flexibilidade seria impossível ao indivíduo sobreviver em um mundo em que tanto o meio ambiente externo, como as suas próprias potencialidades se encontram em constante fluir". [4]
O amadurecimento do ser humano consiste na descoberta e na vivência de sua verdadeira essência que está na integração de suas dimensões física em que se situam os cinco sentidos;intelectiva, pela qual se chega à compreensão do âmago das coisas; espiritual, que nos abre para o transcendente e nos possibilita acolher as imperfeições e limitações de nossa vida para remetê-las à totalidade; e social, que nos coloca, desde o nascimento, em relações com os demais seres humanos, dando-nos a consciência de que não podemos viver isolados e de que a nossa sobrevivência depende, e muito, dessas relações com os nossos sócios. Na maioria das vezes essa relação que se dá na vida em sociedade é conflitiva. Mas é nas situações de conflito que nos colocamos diante dos limites de nossa humanidade para poder superá-los e assim chegarmos ao amadurecimento individual e social.
[1] Erich FROMM. A revolução da esperança. Rio de Janeiro, Zahar, 1969. Pág. 71.
[2] Hannah ARENDT. Origens do totalitarismo. São Paulo, Companhia das Letras, 1989. Pág. 522-523.
[3] Carl Gustav JUNG. Presente e futuro. Petrópolis, Vozes, 1988. Pág. 27.
[4] Ralph LINTON. Cultura e personalidade. São Paulo, Mestre Jou, 1979. Pág. 119.

Disponível em: http://www.teologiaclub.com/site/index.php?pagina=texto&id=93

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O IBGE da Internet - Censo feito por um Hacker



Censo hacker

Ele usou um software para invadir roteadores pelo mundo e criar o mapa mais completo – e ilegal – já feito da internet.

Ele usou um software robô para invadir roteadores em todo o mundo e criar o mapa mais completo – e ilegal – já feito da internet.

Christian Stöcker e Judith Horchert
Der Spiegel

Qual é o tamanho da internet? Um hacker anônimo afirma ter obtido a resposta a esta pergunta usando meios ilegais, mas eficazes. O resultado é uma fascinante reflexão do uso online em todo o mundo. Em alguma parte deste planeta está um hacker cujas emoções variam entre o orgulho e o medo. Orgulho porque ele fez o que ninguém conseguiu fazer até hoje. E medo porque isso é ilegal em praticamente todos os países do planeta.


Ele mediu a internet inteira como ela estava em 2012. Para isso, ele usou ilegalmente uma ferramenta que facilitava o acesso a computadores de outras pessoas em todo o globo.

O hacker simplesmente queria descobrir o número de aparelhos online que podiam ser abertos com a senha padrão. Foi o que ele disse numa espécie de relatório de pesquisa sobre o projeto intitulado “Censo da Internet 2012”. E ele descobriu que existem centenas de milhares de aparelhos protegidos apenas pela senha padrão comum – ou mesmo não tinham nenhuma senha.

Os roteadores estavam entre os aparelhos mais afetados. Os roteadores recebidos pelos provedores de internet normalmente têm senhas padrão estabelecidas pelo administrador – no geral, “root” ou “admin”. Os fabricantes de roteadores supõem que os usuários mudarão essas senhas ao instalá-los e configurá-los em casa, mas isso raramente acontece.

“Aparelhos não protegidos estão por toda a parte da internet”, escreveu o hacker. Ele descobriu em mais de um milhão de aparelhos que estavam acessíveis no mundo inteiro que “uma grande maioria deles eram roteadores ou decodificadores”. Mas havia também outros tipos de aparelhos, incluindo “sistemas de controle industriais” e “sistemas de segurança de porta”.

Os riscos à segurança expostos no trabalho realizado pelo hacker são vertiginosos.

As falhas de segurança não estavam nas senhas de redes locais sem fio (WLAN), que os usuários configuram ou já vêm na parte de trás do roteador. Era na senha com a qual temos acesso ao sistema do roteador – que não deveria ser acessível a partir da internet.

Quando o computador usado pelo hacker para escanear encontrava um roteador ou outro aparelho com uma porta aberta e condições favoráveis, ele baixava uma cópia e a partir dali escaneava outros aparelhos. O número cresceu exponencialmente. Depois de um dia, ele já controlava cerca de 100 mil aparelhos, que formaram o núcleo do seu “Carna Botnet” – nome baseado na deusa romana dos órgãos e da saúde, e mais tarde associado a portas e dobradiças.

No total, o Carna Botnet utilizou 420 mil aparelhos para realizar um rápido censo da internet à medida que os roteadores hackeados enviavam sinais de endereços IP e aguardavam resposta. Se um aparelho emitia uma resposta, era incluído na contagem. Utilizar este tipo de robô – que é um grupo de programas conectados à internet e que se comunicam – é obviamente ilegal. Os robôs costumam ser usados para envio de spam ou realizar ataques de negação de serviço, os chamados DDoS.

Mensagem para a polícia. O hacker procurou se assegurar de que seu projeto ilegal provocasse o menor dano possível. “Não tínhamos nenhum interesse em interferir no funcionamento normal do aparelho”, ele escreveu. Depois de ser reiniciado, o aparelho voltava ao seu estado original. A não ser por um detalhe: o robô também carregava um arquivo em cada aparelho com informações sobre o projeto e um endereço de e-mail de contato, “para oferecer feedback para pesquisadores na área de segurança, provedores de internet e a polícia caso tivessem conhecimento do projeto”.

O software foi criado de modo a não ser detectado e com o mínimo de recursos. “Fizemos isso da maneira menos invasiva possível e com o máximo respeito à privacidade dos usuários”, escreveu o hacker. Ele disse também que removeu um malware chamado Aidra de muitos aparelhos que o Carna acessou.

Mas os proprietários de aparelhos acessados poderão não achar o projeto tão inofensivo. O hacker colocou online todos os dados gerados pelo seu censo da internet, convidando pesquisadores de segurança na área de TI, agências de inteligência e também mafiosos a interpretarem as informações. Mas alguns conjuntos de dados incluem informações sobre qual software está rodando nos aparelhos escaneados, e quais portas reagem a certos tipos de tentativas de contato. Isto pode poupar muito trabalho para criminosos em busca de pontos fracos.

Ao mesmo tempo, a ousada façanha do hacker infelizmente deixa claro como a internet é insegura em muitos aspectos – e isso pode incentivar mudanças.

Assim, quais foram os resultados de fato deste censo? Quantos endereços IP havia em 2012? “Isto depende da maneira como você conta”, ele escreveu. Cerca de 450 milhões “estavam em uso e acessíveis” quando foi feito o escaneamento. Em seguida, havia os IPs protegidos por sistemas de segurança e aqueles com registros DNS invalidados (o que significa que existem nomes de domínio associados a eles). No total, seriam 1,3 bilhões de endereços IP em uso.

Esta cifra está de acordo com o que o conhecido especialista em segurança HD Moore, CEO da empresa de segurança Rapid7, concluiu legalmente no ano passado. Moore disse no site Ars Technica que as conclusões do projeto Carna parecem “bastante precisas”.

O último censo da internet, em 2006, revelou cerca de 187 milhões de endereços IP visíveis. Em outras palavras, a internet vem crescendo rapidamente, mesmo que estes dados sejam um pouco confusos.

A última medição. É importante notar que essas cifras não indicam o número de computadores que estão online. Por trás de cada endereço IP existem vários, às vezes dezenas ou até centenas de aparelhos. Os dados também não revelam nada sobre o tamanho dessas intranets. O Carna só conseguiu ver os computadores de acesso na internet pública.

A versão 4 do protocolo da internet (IPv4) ainda está válida e indica que o tráfego na internet chega a 4,3 bilhões de endereços. O criador do Carna calcula que 2,3 bilhões de endereços IP estão inativos. A introdução da IPv6, que vai substituir a versão 4, aumentará o número de endereços radicalmente – abrangendo 340 sextilhões, a ponto de escaneamentos similares se tornarem quase impossíveis. O que significa que esta pesquisa ilegal do Carna provavelmente será a última.

Então por que o hacker do Carna realizou o censo? “Vi uma chance de trabalhar no âmbito geral da internet, controlar centenas de milhares de aparelhos com um clique do meu mouse, escanear a porta e mapear toda a rede de uma maneira que ninguém fez antes, basicamente para me divertir com os computadores e a internet de uma maneira que muito pouca gente um dia conseguirá”, ele escreveu.

 /Tradução de Terezinha Martino

Canal Link - http://blogs.estadao.com.br/link/censo-hacker/ Acesso em: 01/dez/2015