Vila Sésamo (1974/1977 - TV Globo/TV Culcura)
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| (Sônia Braga, Armando Bógus, Aracy Balabanian, Milton Gonçalves e as crianças) |
O
programa "Vila Sésamo" era uma coprodução da TV Globo com a TV Cultura
de São Paulo, exibido de1972 a 1977. O programa ia ao ar de segunda a
sexta-feira, em duas edições diárias, pela manhã e à tarde: 10h45 e às
16h. A duração do infantil era de meia a uma hora.
O
infantil tinha coordenação de Wilson Aguiar e direção de cena de Milton
Gonçalves; assistência de direção de David Grinberg e produção de Jayme
Leite de Godoy Camargo. O cenário de “Vila
Sésamo” representava uma vila, onde crianças conviviam com adultos e
bonecos. Ali, eram apresentados pequenos esquetes com duração máxima de
três minutos e a mesma informação era repetida mais de uma vez. Com tom
de brincadeira, o programa ensinava, estimulando o raciocínio. Transmitia noções básicas do alfabeto, números e cores.
O
elenco principal era composto por Aracy Balabanian (Gabriela), Armando
Bógus, (Juca), Paulo José (Mágico), Flávio Migliaccio (Edifício), Sônia
Braga (Ana Maria), Laerte Morrone (Garibaldo), Manuel Inocêncio (Seu
Almeida), Milton Gonçalves (Professor Leão), Ayres Pinto (Cuca), Luiz
Antonio Angelucci (Bruno), Marcos Miranda (Funga Funga) e Roberto Orozco
(Gugu). Na versão brasileira, a rua foi transformada em uma vila
operária, onde personagens tipicamente brasileiros viviam.
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| (Sonia Braga e Gugu) |
O
bem-humorado Juca era o faz-tudo local, capaz de consertar qualquer
coisa. Sua esposa Gabriela representava a típica mãezona, atenciosa,
paciente e doceira de mão cheia. Ana Maria era a professora brincalhona e
era namorada de Antônio, motorista de caminhão.
Já
a partir de 1973, o programa passou a ser inteiramente nacional. Nessa
época foram criadas as versões brasileiras dos famosos bonecos Garibaldo
e Gugu por Naum Alves de Souza. Garibaldo (Laerte Morrone) era uma
mistura de galinha e pato, alto e desengonçado. Adorava aprender coisas
novas e vivia brigando com o mal-humorado Gugu (Roberto Orozco). Sempre
ranzinza, Gugu não saía do barril onde morava. Garibaldo tinha ainda um
amigo imaginário, o Funga funga (Marcos Miranda). Meio rato, meio
elefante, ele aparecia somente para as crianças.
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(Aracy, Garibaldo e Sônia Braga)
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Os
bonecos foram especialmente criados para que as crianças se
identificassem com suas personalidades e atitudes. Eles tropeçavam,
erravam e faziam bobagens, não eram heróis infalíveis.
A
partir dessa data, as músicas do programa original também foram
substituídas por outras, compostas por Marcos e Paulo Sérgio Valle, e os
textos foram entregues a escritores brasileiros como Dinah Silveira de
Queiroz, Ivan Lessa, Marcos Rey, Ronaldo Ciabrone e Carlos Alberto
Seidl.
Os adultos, não eram chatos, mas viviam brigando e exigindo da garotada o cumprimento de seus deveres.
Dos
adultos o mais simpático era a Gabriela (Aracy Balabaniam), casada com o
mecânico Juca (Armando Bógus), que funcionavam como uma figura de mãe e
pai da molecada da Vila. Enquanto a professorinha Ana Maria (Sônia
Braga, em seu primeiro papel na TV) namorava Antônio (Flávio Galvão).
A
equipe ensaiava diversas situações sugeridas por uma equipe de
psicólogos e só depois convidava crianças de escolas públicas para
participar do programa.
Foram
150 episódios com 52 minutos de duração. As mensagens repetiam a
filosofia dos comerciais: "se você não entendeu agora, não tem
importância, pois essa mensagem será repetida".
Aracy Balabanian comentou, na época, que viu muita gente aprender a ler e a escrever acompanhando a "Vila Sésamo".
Curiosidades:
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O programa era uma adaptação da série americana "Sésamo Street". A
série original foi criada pela Childrens Television Workshop para tirar
as crianças das ruas e proteger os guetos nova-iorquinos.
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A ideia de trazer o programa para o Brasil foi de José Bonifácio de
Oliveira Sobrinho (Boni), na época diretor geral da Central Globo de
Produções, e Cláudio Petraglia, então diretor da TV Cultura. Edwaldo
Pacote também fez parte do projeto.
- A
primeira fase da versão brasileira foi apresentada simultaneamente pela
TV Cultura de São Paulo e pela Rede Globo, de 1972 a 1974. Como
inicialmente a Globo não tinha estúdio para as gravações, estabeleceu-se
uma co-produção entre as duas emissoras. No entanto, só a Rede Globo
continuou exibindo “Vila Sésamo” numa segunda fase (de 1974 a 1975) e,
posteriormente, numa terceira fase (de 1975 a 1977).
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Porém, nem tudo eram brigadeiros e empadinhas. Os pobres dos atores,
como sempre acontece nos anos de repressão, eram obrigados a gravar
diante de um censor imposto pelo governo.
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Apesar de ter sido exibido numa época de regime militar no Brasil, ele
conseguiu driblar a censura e chegar à realidade brasileira com muita
tranquilidade e grande sucesso. Como seria este programa nos dias de
hoje? Só revendo, poderíamos saber, concordam?
Na segunda fase:
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Produzida exclusivamente pela Globo a partir de 1974, “Vila Sésamo”
contava com uma equipe de cerca de 350 pessoas e com a participação de
aproximadamente 800 crianças. Naum Alves de Souza era responsável pela
direção de bonecos e Cyro del Nero pela direção de arte.
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O horário de exibição foi alterado para 14h30. Às 10h30 era exibido uma
reprise do infantil. “Vila Sésamo” passou a ter 30 minutos de duração,
ganhando em dinamismo.
- O figurino também
sofreu alterações: os atores trocavam de roupa várias vezes para
transmitir a ideia da importância da higiene pessoal para as crianças.
Na terceira fase:
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Em 1975, três anos depois da estreia, “Vila Sésamo” entrou na terceira
fase. Empregando métodos educacionais brasileiros para maior integração
com a nossa realidade, foram incluídos 20 novos personagens, todos
criados pela equipe do programa, chefiada por Wilson Aguiar, diretor da
Divisão de Educação da Rede Globo. Alguns deles eram Pipoca (Teresa
Cristina), Jujuba (Elany Del Vechio), Marocas (Sônia Guedes), Marinheiro
(Antônio Petrin), Sabichão (Henrique Lisboa) e Bidu (Aziz Bajur).
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A grande preocupação do programa, segundo Wilson Aguiar, era diminuir
as diferenças culturais entre as crianças de classes sociais distintas.
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Em 1972, "Vila Sésamo" recebeu o Troféu Helena Silveira em duas
categorias – Melhor Programa Cultural e Revelação Feminina (Sônia Braga)
–, além do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)
como melhor programa em sua categoria.
- O
nome da versão nacional foi sugerido por Boni. Segundo ele, a tradução
literal (“Rua Sésamo”) não estaria de acordo com a realidade brasileira
da época, já que o ambiente familiar de convívio das crianças era a
vila, e não a rua.
- A adaptação brasileira da série norte-americana foi a primeira do mundo.
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O intérprete do Garibaldo brasileiro era o ator Laerte Morrone, Nos
Estados Unidos, o ator americano que dava vida ao personagem usava um
monitor de tevê dentro da roupa para poder se orientar em cena. Laerte
Morrone preferiu arrancar algumas penas do seu figurino de avestruz para
poder enxergar e evitar tropeços no estúdio.
- Na versão americana, o Garibaldo era amarelo. No Brasil, ele ganhou a cor azul.
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A música de abertura do programa contagiava todos os telespectadores,
das crianças aos adultos. “Alegria da vida”, de Paulo Sérgio Valle,
Nelson Motta e Marcos Valle, dizia: “Todo dia é dia, Toda hora é hora /
De saber que este mundo é seu... /Se você for amigo e companheiro, Com
alegria e imaginação! / Vivendo e sorrindo, / Criando e rindo, / Será
muito feliz e Todos... /Serão também!”.
Todas as informações deste texto e as imagens que o ilustram foram pesquisadas em sites da Internet e no Projeto Memória Globo.
Se você nunca ouviu falar, pesquise e descubra. Ou, se já tens os cabelos meio grisalhos, como os meus, mate um pouco a saudade da sua infância...
Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=JuB6eTgjMUY