Assistindo a uma reportagem em que o jogador Fred, do Fluminense, num desabafo, expõe a grande pressão que sofre o atleta, principalmente do futebol, quando o desempenho da equipe fica aquém do esperado pelos torcedores, mais especificamente das torcidas organizadas, que por vezes expressam sua insatisfação de forma violenta e ameaçadora, levando o atleta até a pensar em mudar de equipe, de estado ou até mesmo de país, vislumbramos nas entrelinhas um problema que está fundado na inércia do poder público quando o assunto é povo.
Observando a fala e o sentimento expressado, quando Fred demonstra a alegria de jogar, o amor pela família, o medo de levar os filhos aos gramados e os riscos de ser agredido diante deles, e, atentando também, que essa violência tem aumentado exponencialmente nos estádios e muito mais nas periferias, locais de famílias humildes e de pouco estudo, percebe-se que isso acontece onde o Estado tem pouca ou nenhuma penetração, não porque o povo não precise, mas por que dessas comunidades não há o retorno financeiro ou político que os Deputados, Senadores e líderes do Executivo buscam para se perpetuarem em suas vidas públicas. Nota-se, também, um desvio de foco bizarro, quando o assunto que deveria realmente ser levado à plenário é a inércia dos poderes públicos quanto a todos os problemas políticos, sociais e estruturais pelos quais o país está passando.
Esse medo e essa insegurança, demonstrados por Fred, de continuar na labuta e levar para casa o pão nosso de cada dia, está incrustado no coração de todos nós que saímos pela manhã, mas não temos a certeza de retornar ao fim do dia. Não há garantias institucionais que garantam isso. Existem as Constitucionais, na forma de leis, mas não na forma de ação do poder público.
Devemos estar atentos ao fatos, vivenciados empiricamente por todos nós, dia após dia, não permitindo que distrações midiáticas, como a violência nos estádios e os protestos populares, desviem nosso foco daqueles que realmente são os responsáveis por tudo o que vem acontecendo:
- Do Legislativo, só temos notícias de corrupção e correligionarismo, onde uns cobrem as imundícies dos outros, como vemos nos casos das fraudes nos investimentos da Petrobrás - entenda-se por acobertamento do PT e coligados às falcatruas promovidas dentro da estatal, versus fraudes no metrô de São Paulo - entenda-se por desvio de recursos e propinas promovidos por agentes públicos do PSDB e cia. Fora o uso da máquina pública para interesses particulares (Renan Calheiros e os aviões da FAB), etc.
- Temos no Judiciário um poder maculado, onde a indicação para os "Supremos" líderes, depende de politicagem e favores que são cobrados em momentos oportunos, como no caso do mensalão, em que a determinação de um culminou com a condenação de políticos poderosos dentro da Corte Federal, mas que pela vaidade, cumplicidade e conivência de outros, terão suas penas gradativamente atenuadas, senão extintas pelos institutos que possui o executivo, e, muito brevemente, estarão novamente sendo eleitos e ou empossados em cargos de confiança da cúpula administrativa de nosso país.
- Ainda, e mais triste, temos no Executivo o mais corrupto dos poderes. Dali saem os recursos bilionários pelos quais se digladiam os gestores dos três poderes, em todos os níveis de hierarquia e em todas as suas esferas, sendo que desses bilhões de reais, que saem do Trilhão arrecadado em impostos, de acordo com pesquisas de vários institutos, e não são devolvidos em forma de benfeitorias para o cidadão brasileiro, muito reais vão parar em contas fantasmas espalhadas pelo mundo. E com esse "poder de fogo", o Poder que seria do povo, pelo povo e para o povo, vai afundando o Gigante que ainda permanece "Deitado Berço Esplêndido", mas, pelo andar da corrupção, não por muito tempo, e muito menos "eternamente".
Cabe ao cidadão eleitor, ficar atento às essas armadilhas eleitoreiras que desviam nossa atenção das verdades sociais de nossos bairros, cidades e estados, que ficam acobertadas pelos movimentos ditos populares, e que, em algumas vezes, são situações criadas e incentivadas por elementos infiltrados nesses movimentos para direcionar ou lançar culpa em suas oposições políticas.
O verdadeiro culpado é o eleitor, que não cobra postura daqueles a quem elegeram. Quando as torcidas organizadas, os Black Bloc's, os Sem Teto e tantos outros movimentos, que muitas vezes usam da violência para expressar sua indignação, se colocarem diante do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal ou das sedes de seus Poderes estaduais e municipais locais, aí sim, verdadeiramente, estaremos provocando transformações sociais efetivas, pois nossos nobres líderes não poderão se acobertar de suas responsabilidades e deverão dar respostas efetivas às nossas necessidades: Educação, Saúde, Infraestrutura e Justiça Social.
É nesse ninho de corruptos (lembrei do Jô Soares) que devemos concentrar nossas cobranças e ações para alcançarmos um futuro melhor, para nós e nossa descendência.
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| Palácio do Planalto |
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| Congresso Nacional |
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| Supremo Tribunal Federal |
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