Por Marcus Valerio XR
Em: http://www.xr.pro.br/fc/PARADOXTIME.html
Segundo o escritor Eduardo Torres, as
Viagens no Tempo são o que há de mais puro em termos de Ficção Científica,
visto que elas o são por excelência. Há algo de bastante justificado nesta
frase, visto que boa parte das obras que conhecemos como FC poderiam ser
facilmente transpostas para outros gêneros sem perda alguma de conteúdo
essencial.
Não se pode negar, porém, que a
idéia de viajar no tempo é possível também no terreno da Fantasia. Urashima Taro, a lenda do
Pescador Japonês, é um exemplo interessante, Harry Potter e o Prisioneiro de
Azkaban também. Mas quando H.G.Wells criou a Máquina do Tempo, em 1890, tivemos
a inauguração do gênero como o conhecemos hoje.
![]() |
| A Máquina do Tempo - H. G. Wells |
As Viagens no Tempo gozam de uma
posição de destaque na FC, não só remontam aos sub gêneros mais antigos como
talvez estejam entre os mais populares. Ao mesmo tempo, podem parecer a
primeira vista as mais absurdas, pois é difícil conceber como seria possível se
deslocar no tempo, enquanto não é tão difícil conceber vôos espaciais, robôs
inteligentes ou extraterrenos. Entretanto, na verdade estão entre as poucas que
possuem base científica plausível, mais especificamente sobre a Teoria da
Relatividade.
Isso ocorre porque uma das
consequência mais notáveis da teoria Einsteiniana é a fusão das idéias de tempo
e espaço numa mesma entidade chamada Continuum, o que, entre outras
coisas, torna o tempo, ao contrário do que se pensava, Relativo, e sujeito a
vários tipos de distorção.
As viagens para o futuro são mais
do que plausíveis, eles existem e ocorrem a todo instante, porém em escalas
imperceptíveis. Como, segundo a Teoria da Relatividade, o movimento afeta o
ritmo de passagem do tempo, quanto mais rápido alguém se mover, mas rápido ela
avança para o futuro em relação a referenciais mais lentos. Ou seja, alguém que
viaje constantemente de avião chega ao futuro mais rápido que alguém que nunca
o tenha feito, pois o tempo para ela terá passado mais lentamente e ela terá
envelhecido menos.
No entanto a diferença será
desprezível. Mesmo os astronautas que foram à Lua, que são os seres humanos que
experimentaram as maiores velocidades de deslocamento na história, cerca de
40mil km/h, experimentaram avanços para o futuro insignificantes.
Para que uma viagem ao futuro
apresente resultados perceptíveis é necessário velocidades de deslocamento
muito maiores, que poderão ser possíveis futuramente. Uma nave capaz de se
mover ao menos a um décimo da velocidade da luz, já apresentaria resultados
bastante impressionantes.
Mas se as viagens para o futuro
são teoricamente possíveis e até futuramente prováveis, as viagens para o
passado ainda são altamente improváveis mesmo em ousadas especulações teóricas.
Acelerar até a velocidade da luz
por exemplo, o que já é bastante improvável levando em conta nossos
conhecimentos científicos atuais, apenas congelaria a passagem do tempo,
permitindo que o viajante avançasse o quanto quisesse para o futuro, mas ao que
parece nada sugere que seja possível ultrapassar tal limite e que mesmo o
fazendo o tempo retrocederia.
Uma analogia interessante:
Suponha que você esteja acostumado a percorrer o trajeto de sua casa até a casa
de uma amiga em 20 minutos. Então adquire um meio de deslocamento mais rápido e
passa a fazer o percurso em apenas 10 minutos. Com outro meio de transporte
esse tempo passa a ser de 5, e assim por diante.
Chegaria a um ponto em que
teoricamente você gastaria um tempo que tendesse a zero, ou seja, se
transferiria instantaneamente de um local a outro. Mas, e se fosse possível
aumentar ainda mais a velocidade, ocorreria de você chegar à casa de sua amiga
ANTES de ter saído da sua?
Pelo nosso paradigma científico
atual tudo indica que não. Você nunca conseguiria gastar um tempo Zero de
descolamento, ainda que chegasse a um tempo desprezível muitíssimo próximo de
zero. No entanto, considero ingênuo acreditar que nossas concepções científicas
atuais bateram definitivamente o martelo sobre a questão, e vamos deixar em
aberto a possibilidade de viagem para o passado.
Temos que recorrer então à
Filosofia para compreender certas questões. Muitas coisas podem ser possíveis
dependendo do contexto. Por exemplo, não temos dificuldade em imaginar que num
outro Universo submetido a outras leis físicas, fosse possível ultrapassar a
velocidade da luz e ou viajar para o passado. Nós podemos imaginar isso por que
se trata de uma Possibilidade LÓGICA. Ou seja, ela pode ser racionalmente
concebível.
Porém, se uma coisa for
LOGICAMENTE Impossível, ela com certeza o será FISICAMENTE Impossível. Nós
podemos conceber logicamente coisas impossíveis fisicamente, mas se uma coisa
for logicamente inconcebível, ele com certeza será impossível.
PARADOXO
O problema com as viagens no
tempo para o passado é que elas geralmente apresentam resultados logicamente
impossíveis, PARADOXOS. E talvez o mais problemático seja o mais comum em obras
de Ficção Científica sobre Viagens no Tempo:
O PARADOXO DE CAUSA E EFEITO, que
diz que: “Se alguém viaja para o passado com objetivo de alterar um evento para
mudar o presente, assim que o fizesse, o motivo pelo qual viajou deixaria de
existir, e consequentemente a viagem também”. Sendo assim, o mínimo que deveria acontecer
seria a perda de memória por parte do viajante, ou seu lançamento numa
realidade paralela.
Há meios de se superar essa
dificuldade, mas raramente isso é feito com desenvoltura principalmente em HQs
ou Filmes.
Em Os 12 Macacos, por exemplo, houve um excelente tratamento
do tema, mas admitindo a impossibilidade de se alterar o passado de modo que a
própria tentativa de alteração fez parte do processo.
Em minha opinião, no cinema os
exemplos mais desastrosos são os de Jornada nas Estrelas, principalmente em STAR TREK VIII, onde no passado um evento principal é
alterado mudando o presente, nos caso os Borgs eliminando o evento que
resultaria em boa parte do avanço tecnológico humano, e então através de uma
viagem os protagonistas repõem o evento principal no lugar.
Entretanto fazem inúmeras outras
alterações nada insignificantes, mas que em nada afetam os acontecimentos
futuros, e fica sempre a pergunta: Por que os Borgs não tentam de novo? E de
novo e de novo? E se viajassem para impedir que os heróis impeçam a mudança no
passado? Por que não uma outra viagem para impedir a raiz de todos os
problemas? Quando isso pararia?
E o pior! Se os Borgs
conseguissem impedir o tal evento, a Terra nunca teria desenvolvido tecnologias
de viagens espaciais, e sendo assim nunca teria se integrado a federação e
muito menos conhecido os Borgs, que também não teriam o menor interesse numa tecnologia
pouco avançada, e portanto não teriam vindo à Terra.
Esse resultados são ilógicos, e
podemos esclarecer isso formalizando e simplificando a questão:
1) Os Borgs vieram à Terra para
assimilar sua Tecnologia Avançada.
2) Para eliminar a forte resistência
dos terrestres, que se baseia em tecnologia avançada, os Borgs viajaram no
tempo e prejudicaram o desenvolvimento da Tecnologia Terrestre.
3) Sem tecnologia avançada, os
terrestres não puderam resistir aos Borgs.
E aqui fica clara a contradição,
o item 3 entra em conflito com o item 1, se os terrestres perderam sua
tecnologia avançada devido a viagem no tempo dos borgs, para que então os Borgs
teriam vindo à Terra?
Em síntese: Se você viajasse para
o passado para impedir uma tragédia e o conseguisse, a tragédia, que é motivo
de sua viagem, deixaria de existir, sendo assim sua viagem também.
O motivo da viagem é a sua CAUSA,
se esta desaparecer, a viagem, que é seu EFEITO, também desaparece.
É até concebível que isso ocorra
desde que o viajante perca completamente a memória de sua viagem, pois ela
também teria deixado de existir. E dessa forma seria possível que há um minuto
atrás a realidade em que você vive fosse outra, mas você viajou no tempo e a
alterou, de modo que agora vive numa outra realidade tendo se esquecido
totalmente da realidade anterior em que viveu.
Pior! Pode ser então que a
realidade que vivemos tenha sido alterada infinitas vezes, mas ninguém, nem
mesmo os viajantes do tempo responsáveis, saberiam disso.
Outra forma de evitar esse paradoxo
é afirmar que os viajantes na verdade passaram para uma dimensão paralela, e
dessa forma eles nada mais fizeram do que escolher um Universo alternativo, e
tenham se tornado seres multi dimensionais. Mas isso também implica que, para
as pessoas que não sejam esses viajantes, as mudanças simplesmente não ocorrem,
ou seja, se você viaja no tempo e impede a tragédia, e volta para o seu tempo
sem perder a memória, você teria na verdade entrado em um universo alternativo,
para o qual aquela tragédia de fato jamais ocorreu, mas o universo original
permanece inalterado.
Já uma situação como a ocorrida
em filmes como De Volta para o Futuro, é absurda, pois o viajante, Martin
McFly, faz alterações drásticas em sua realidade e volta para ela, e ainda que
ela não evolva exatamente a causa da viagem no tempo, elas deveriam estar
automaticamente registradas em sua memória, ou aquela realidade para a qual ele
voltou já seria um universo alternativo.
Explicando mais detalhadamente:
cada vez que ele alterava um detalhe do passado de seus pais, isso resultava em
mudanças no futuro. Porém ele estava de certa forma protegido dessas mudanças,
talvez por não estar em seu tempo original. Quando ele volta para seu Presente
encontra várias coisas mudadas e não as reconhece, isso significa que sua
memória pertence à realidade anterior, ele vem de uma realidade anterior,
alternativa, caso contrário, ele deveria se lembrar automaticamente de tudo,
não sofrendo nenhum estranhamento com as mudanças.
Problemas como esse me levaram a
formular um modo de conceber as Viagens no Tempo que alteram o Passado como
formas de Viajar entre Realidades Paralelas. Não fui o único. Cada vez mais
idéias similares se tornam populares, à medida que a reflexão sobre o tema
aumenta, e por ser muito difícil conceber a viagem no tempo de um modo
racionalmente diferente.
INFINITOS UNIVERSOS
Para explicar minha teoria,
devemos ter em mente, e muito claramente, a expressão:
O UNIVERSO É INFINITO! Contendo
múltiplos sub universos. Isto é, o Universo seria um Multi Verso, com infinitas
subdivisões.
Agora pensemos nas seguintes
possibilidades de idealização do tempo:
Nesta idealização temos uma Linha
do Tempo, que imaginamos como correndo da Esquerda para a Direita. em vermelho
temos o PASSADO, e em azul oFUTURO. O PRESENTE, representado em
verde, seria um intervalo infinitamente pequeno entre o Passado e o Futuro, um
evento instantâneo que transforma este último no primeiro.
Foi o filósofo Santo Agostinho
que, no Quarto Século da Era Cristã, teve a ousadia de ser o primeiro a
questionar a natureza do tempo e perceber uma estranha contradição. Parece que
o Tempo, de uma certa forma, não existe, pois o Passado não existe mais, o
Futuro ainda não existe, e o Presente é infinitamente pequeno, sendo assim,
como poderia existir?
Mas não foi por acaso que citei
esse grande filósofo, pois ao final de sua vida, sem dúvida envolvido também
nestas questões, ele se tornou Determinista, isto é, alguém que acredita que o
Futuro está definitiva e inalteravelmente escrito. Opinião que é compartilhada
por muitas pessoas ainda hoje.
Esta representação do tempo,
acima, expressa então o Pré-Determinismo, mais conhecido por Destino, que é
idéia de que todos os eventos do futuro já estão definidos e não podem ser
evitados.
Uma forma de expressar isso é
exatamente pensando no tempo como uma linha por onde corre o presente.
Agostinho, que era um filósofo cristão, se apercebeu que isso trazia um grande
problema para a idéia de Livre-Arbítrio, pois como podemos ter escolha se todo
o futuro já está definido? Mais informações em minha monografia DEUS ME LIVRE,
que trata especificamente sobre estas questões.
Um outra forma de imaginarmos o
tempo seria:
Aqui, temos um Futuro indefinido,
onde várias possibilidades podem ser realizadas e, assim sendo, que não pode
ser previsto com exatidão. O Presente seria então um fenômeno que converte
possibilidades em fatos transformando-os em passado, de onde não mais podem ser
alterados. Ao menos é assim que muitas outras pessoas costumam pensar.
Entretanto, há uma outra forma de
pensar o tempo, uma forma um tanto mais ousada, onde todas as possibilidades
jamais seria exatamente fechadas, mas sim ficando "sempre" em aberto.
Assim seria:
Aqui teríamos então, não somente
uma linha de tempo, mas várias, mais provavelmente infinitas. E todas elas
paralelas. É esse o conceito de Realidades Paralelas, ou Alternativas,
apresentadas em muitas obras de FC. Esta concepção sugere que tais linhas sejam
independentes entre si, e que somente algum evento muito incomum poderia
misturá-las.
Isso então, acaba não sendo muito
diferente da idéia anterior de Determinismo, com a única diferença que tal determinismo
não seria único, mas para cada ser que vivesse em um, ele seria inviolável.
No entanto, podemos também
visualizar estas linhas da seguinte forma:
Vemos aqui que o Tempo seria um
processo que converteria possibilidades em realidades, deixando-as no Passado.
É razoável supor que o Passado, uma vez consumado, não possa mais ser alterado,
mas o Futuro é livremente aberto às possibilidades. Assim, existiriam diversas
realidades paralelas, todas indeterminadas, sendo convertidas pelo efeito
"Presente", de, "Possibilidade de Futuro" para
"Passado".
E aqui, já é importante frisar,
essas possibilidades tem que ser INFINITAS! Ou seja, existiriam Infinitas
realidades paralelas, Infinitos Passados consumados com todas as infinitas
possibilidades.
É exatamente neste contexto que
poderíamos pensar em viagens no tempo para o passado, que inclusive alterassem
eventos, mas que não causassem paradoxos. Pois qualquer alteração já estaria
prevista em uma das infinitas linhas de possibilidades passadas, e assim, cada
vez que um viajante do tempo o fizesse, estaria na verdade saltando para um
universo paralelo. Ou poderíamos pensar também que tal universo só passasse a
existir assim que a alteração fosse efetuada.
O mais importante é que os
eventos do presente original do viajante não seriam afetados. Se pensarmos no
exemplo de De Volta para o Futuro, poderíamos exemplificar com a idéia
de que Martin Mcfly, ao voltar 30 anos no tempo, retornou por sua própria linha
temporal, porém ao emergir no passado, terminou por passar para uma linha
paralela, permanecendo nela mesmo quando voltou ao futuro. Essa é a única forma
de explicar que ele não tivesse nenhuma memória dos eventos que ele mesmo
gerou.
É claro que essa teoria não salva
o paradoxo no filme, pois se é assim, deveria haver um duplo, um outro Martin
neste universo paralelo, que evidentemente vive normalmente em sua realidade e
que não teria viajado no tempo.
Essa teoria abre possibilidade
para qualquer tipo de viagem temporal, tornando qualquer possibilidade
logicamente possível. É claro que ela acrescenta alguns aspectos perturbadores.
A maioria das pessoas tem dificuldade em lidar com a idéia de uma infinitude de
possibilidades, mas essa concepção, ou pelo menos a possibilidade de cada viagem
ao passado gerar um universo paralelo totalmente novo, me parece a única forma
de tornar as viagens para o passado racionalmente viáveis.
Outra consequência seriam os
infinitos "eus" paralelos coexistindo nessa multiplicidade de
universos, algo um tanto perturbador. Uma possibilidade de atenuar a tensão
desta idéia seria que na realidade tais universos não existissem previamente,
mas que fossem gerados pelas viagens no tempo, passando então a serem
independentes. Porém isso leva à questão de qual seria o resultado de diversas
viagens constantemente gerando realidades paralelas. Poderia isso induzir a um
tipo de perturbação em todos os universos? Em especial no original?
No entanto, esse apelo ao
infinito me parece impossível de ser contornado, especialmente se quisermos
impedir o Determinismo, caso contrário, poderíamos pensar num grande grupo de
linhas temporais paralelas, em alguns viajantes oscilando por essas linhas, mas
ainda assim, pensar num nível superior de tempo, onde todas essas variações
pelas linhas paralelas já estariam previstas. Desenvolvi essa teoria mais
detalhadamente ao final de meu Livro Virtual Os Crononautas.
"DIMENSÕES" PARALELAS
Em verdade, pretendo ir ainda
mais longe, e afirmar que qualquer concepção de viagem no tempo para o passado,
independente de pretender trabalhar com paradoxos ou não, necessariamente já
está pressupondo algo muitíssimo parecido com infinitos universos!
Para isso, pensemos o seguinte. O
Universo é um gigantesco aglomerado de zilhões de partículas, que se movem e se
alteram ao longo do tempo. Vamos imaginar que exista uma unidade de tempo
fundamental, algo menor que o microssegundo, que o nanossegundo, mesmo um
femtossegundo.
Um Instante Infinitesimal Indivisível,
um III, ou, para simplificar, um I3.
Assim, o tempo seria uma
sequência virtualmente infinita de I3, sucedendo-se um após o outro. Cada
um desses instantes tem uma posição definida para cada uma das suas
virtualmente infinitas partículas, e somente num I3 seguinte poderia
haver qualquer variação. Isso significa, enfim, que cada I3 só é
idêntico a si próprio.
Para que eu viajasse do meu
presente, o I3 atual, para um I3 qualquer no passado, eu
estaria pressupondo que, de algum modo, esse passado está preservado, isto é,
haverá o I3 em questão com todas as partículas no seu lugar exato e
específico. E então fica a questão: Como funcionaria esta "memória",
este "registro" do passado?
Se houvesse um "outro"
universo perpetuamente congelado em cada I3, então teríamos uma quantidade
total de partículas igual a todas as partículas do universo multiplicadas por
todos os I3, um número impossível até de imaginar, mas sendo assim, porque
cada universo destes deveria ficar parado, e não evoluir independentemente?
Se cada I3 for
definitivamente fechado e congelado, seria impossível viajar no tempo, porque
não se poderia entrar num I3 passado. Isso só seria possível se cada
um desses I3 fosse dinâmico, e o permitisse.
Deveria então existir exatamente
essa quantidade mínima de universos paralelos: Q = I3 x TP2.
Ou seja, a Quantidade de
Universos é igual ao TOTAL de I3 decorridos ao longo de toda
história, multiplicado pela quantidade Total de Partículas, ou
entidades mínimas que compõem o universo, ELEVADO AO QUADRADO! Para que cada
mínima possibilidade de configuração do universo fosse possível. Ou seja, é
mais fácil pensar em infinito!
Assim, se existem uma versão
congelada do universo para cada I3, então, de certa forma, já existem
inúmeros universos paralelos, embora só fossem acessíveis exatamente pelas
viagens no tempo. Se tais versões não estão congeladas, então só poderia fazer
parte de outras linhas de eventos contínuos.
Ou isso, ou a viagem para o
passado é simplesmente impossível. A não ser que se revertesse todos os
eventos, fazendo todas as transformações desacontecerem como se retrocedêssemos
um filme. Mas mesmo isso seria difícil de conceber, pois qualquer força que
produzisse tal efeito teria que estar fora do Universo, ou controlá-lo num
nível praticamente divino. Já trabalhei essa idéia em uma de minhas estórias de
FC, mas não posso dizer qual sem gerar um spoiler fatal.
Por falar em filme, é curiosa
essa idéia presente na mente de qualquer concepção de viagem no tempo. Todas
pressupõem, sem perceber, que de algum modo existe um registro histórico que
guarda cada momento do tempo. Mas isso só poderia significar que há, em cada um
desses momentos, cada I3, uma quantidade de partículas igual a do universo
em qualquer outro tempo, outro I3, como já foi explicado acima. Ou então
uma memória que apenas guarda informações sobre cadaI3, sem tê-lo que
reproduzí-lo integralmente. Ou seja, ao invés de haver infinitos I3 na
linha do tempo, haveria apenas registros de como cada I3 destes era.
O problema dessa concepção, o que
acaba tornando-a equivalente, é que tipo de memória poderia guardar tantas
informações?
Ora, todo registro de algo que
possuímos é sempre uma representação muitíssimo empobrecida deste algo. Mesmo
uma versão digitalizada da uma foto impressa contém muito menos informações que
a foto original, mesmo que tais informações sejam dispensáveis.
Por maior que seja a qualidade e
o número de pixels de uma foto digital, se devidamente ampliada, nós chegaremos
a um limite onde não há mais informação alguma. Mas a foto real pode ser sempre
mais e mais escrutinada, até por microscópios, onde poderemos ver mais e mais
detalhes até onde nossas tecnologias permitam.
Assim, o registro de um I3 teria
que ter muitíssimo menos informação que um I3 real, a não ser, é claro, que
esse banco de dados possua uma memória tão vasta quanto a quantidade total de
partículas de cada I3, o que tornaria o universo ainda maior.
Fica então a questão de se tal
registro, incompleto, seria suficiente para permitir resgatar informações
suficientes para que a aquele I3 fosse efetivamente reconstruído. Da
mesma forma como não precisamos de detalhes microscópicos para apreciar uma
foto, talvez não precisássemos de maiores, ou "menores", detalhes
para recriar um momento do tempo.
Mas seria realmente isso
possível? Será que o universo, com toda a sua complexidade, viabilizaria que
uma informação superficial fosse suficiente para recriar com exatidão um
momento qualquer do passado? Como saber se uma única e ínfima partícula fora do
lugar já não seria suficiente para desarranjar tudo?
Ademais, mesmo independente
disso, ainda resta o problema de que seria necessária uma quantidade de matéria
imensa para reconstruir tal momento do tempo, mesmo que cada detalhe subatômico
não precisasse ser reconstituído com exatidão. De onde viria essa quantidade de
matéria, se não de uma outra dimensão paralela?
CONCLUINDO
Aparentemente, não há qualquer
outra forma racional de conceber as viagens no tempo para o passado sem apelar,
de algum modo ou de outro, para realidades alternativas, dimensões paralelas ou
algo que o valha.
Em sua Mensagem em
meu Livro de Visitantes,
Eduardo Torres declarou: "O problema
dessa concepcao é que ela nega a verdadeira viagem no tempo e a transforma em
'mera' viagem interdimensional." No que parece estar certo.
E o problema parece ser
exatamente isso. Literalmente falando, a viagem no tempo é impossível, mesmo a
nível puramente lógico. Que seja uma possibilidade teórica admitida por uma das
mais famosas e fortes teorias científicas da história, parece pura e
simplesmente paradoxal.











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