Como seres sociais, estamos cercados por pessoas que diuturnamente compõem o nosso ciclo e circulo de vida. Durante toda a nossa existência humana, nos relacionamos com uma infinidade de seres semelhantes à nós e que, de uma forma ou de outra, nos afetam diretamente. Cada um com seus vícios e virtudes.
O comportamento humano é algo espantoso e eternamente em estudo, pois a cada geração, o homem evolui ou involui, dependendo dos adventos sociais e, complementarmente, dos culturais que alteram a formação do ser, do ver e do compreender a nossa importância individual e o peso que cada um tem ao compor o que é coletivo. Somos únicos no nosso meio e a nossa personalidade é íntima e individual, só nossa, mas que afeta o todo.
Uma característica muito comum a milhares de pessoas, que passa muitas vezes desapercebida, mas que pode ser considerada uma doença, ou transtorno como preferem os psiquiatras, é o Transtorno
de Personalidade Obsessiva - TPO. Você faz um comentário
banal e a pessoa começa a questionar cada detalhe minuciosamente. Tintin por
tintin!
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| "Eu gosto de tudo explicadinho nos seus miiiinimos detalhes" |
Esse transtorno é diferente do Transtorno
Obsessivo-Compulsivo – pessoa portadora de uma mania estranha ou
que se comporta de um jeito ansioso e tem algum tipo de hábito incorrigível ou
até superstições esdrúxulas.
Os portadores do TPO são acostumados a enquadrar o
mundo num grande esquema de binômios, essa pessoa só consegue ver a realidade
sob a ótica do certo e do errado. Nada mais e nada menos. Com isso as dicotomias
decorrentes: puro X impuro, justo X injusto, bem X mal, segurança X
insegurança, limpeza X sujeira, punição X recompensa, etc. Não há meio termos,
paradoxos, contradições aceitáveis ou maneiras pacíficas de administrar a
realidade complexa que vivemos.
A vida para essa pessoa é
um grande Excel, qualquer coisa que esteja fora disso a deixa indisposta, mau
humorada e até irritada.
Está sempre com a mente
ativa tentando controlar cada evento, pois acredita que há UMA ÚNICA maneira de
fazer as coisas: a dela.
Detalhista ao extremo, está
sempre tentando corrigir ou identificar padrões errados na moral ou estética à
sua volta. Por isso tem dificuldade de cumprir tarefas simples, seu
perfeccionismo a impede de seguir em frente sem checar cada pormenor.
Costuma eleger um ou todos
aspectos da sua vida para manter a organização. Dos calçados, documentos, até
as emoções, esta pessoa está sempre tentando padronizar e arrumar. Mas ela nem
nota o quão obsessiva e obcecada é, as vezes chata! Nunca relaxa e pouco usufrui
da vida, está sempre pronta para se ocupar de algo que não pode ser deixado de
lado até a conclusão.
Se ela pudesse colocaria
cada pessoa numa caixinha e tiraria só na hora que ela quisesse. O convívio
social é um pouco torturante, afinal as pessoas sempre estão trazendo demandas
imprevisíveis. Aliás, ela não gosta de surpresas, mudanças de agenda e se
aborrece com desleixo dos outros.
Pessoa que se magoa fácil e
se sente incompreendida por todos por buscar aquilo que é correto, justo e
verdadeiro. Demora a perdoar uma ofensa, se fecha, faz bico e pode permanecer
uma vida inteira ruminando aquele dia em 1900 que foi humilhada.
Adora trabalhar mais do que
os outros para sustentar aquele orgulho silencioso e se sentir no direito de
cobrar o mesmo desempenho de todos. No fundo, gosta de ver que foi a mais
aplicada e que se sacrificou. Depois resmunga que ninguém reconhece seu
esforço.
A culpa é sua companheira
constante, além do sentimento de inadequação. Seu perfeccionismo à faz pensar
que é insegura, mas na verdade ela é rígida e exigente para assumir um risco.
Está sempre um pouco
amargurada por seu excesso de responsabilidade, simplesmente não consegue
parar, corporal ou mentalmente. Sofre de constipação emocional (as vezes
intestinal), pois tem dificuldade para liberar seus sentimentos e lidar com sua
agressividade (falso pacato que reclama) e sexualidade (se solta pouco e tem
dificuldade orgástica). Dançar é um verdadeiro suplício e nos ambientes de
festas ela está sempre desambientada, já que não sabe brincar e rir sem um
motivo justificado racionalmente.
Costuma se apegar ao
trabalho como única fonte de reconhecimento pessoal e até se vangloriar disso.
Fora desse ambiente não tem outro assunto e por isso costuma conviver com as
pessoas do serviço.
Se leva muito à sério e
acha todas as pessoas demasiadamente bobas e irresponsáveis. Purista ao
extremo, tem grandes dificuldades de viver numa cultura latina, tão afeita a
dramaticidade e improvisos.
Nos relacionamentos são bem
difíceis de lidar, pois levam tudo ao pé da letra, totalmente incapazes de
flexibilizar horários, compromissos e rotinas. Tem dificuldade em dar e receber
carinho. O beijo na boca é até meio travado, pois o prazer é sempre algo
perigoso que pode tirar tudo do eixo.
Ter um tempo para o lazer,
para fazer nada e se relacionar com coisas novas e que desafiem seus limites
são boas maneiras de começar a desfazer esse novelo complicado.
By : Frederico Mattos
Psicopatologia (Introdução minha nos dois primeiros parágrafos).
Fonte: No Comments acesso em: 08/03/2016

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