"Duas ferrovias
13/06/2016 - Revista Veja (Artigo J.R. Guzzo)
Os viajantes que vão de Zurique, de outras cidades
da Suíça e da maioria dos países da Europa para Milão e para o norte da Itália
já estão rodando a até 250 quilômetros por hora na linha de trem que passa pelo
novo túnel do Monte São Gotardo, a mais recente maravilha da engenharia mundial
- com quase 60 quilômetros perfurados na rocha bruta, é o túnel mais longo do
mundo, e sua construção tornou-se uma epopeia comparável à da travessia
subterrânea do Canal da Mancha, entre Inglaterra e França.
Enquanto isso, no Brasil, a última notícia que o
público pagante teve em matéria de estrada de ferro foi o anúncio, dias atrás,
de que o Tribunal de Contas da União proibiu qualquer entrega de dinheiro do
Erário à Ferrovia Transnordestina, apresentada desde o governo do ex-presidente
Lula como um monumento à redenção do Nordeste; seria também uma prova de que
foi preciso um operário chegar à Presidência deste país para ensinar que
grandes obras não podem ser feitas só no Sudeste. A decisão foi tomada porque a
Transnordestina assumiu a proporção de calamidade fora de controle em matéria
de agressão ao Tesouro Nacional, incompetência técnica absoluta e desrespeito
ao cidadão. O resumo real do que aconteceu aí é o seguinte: dez anos após
anunciadas as obras, não existe ferrovia nenhuma. Em compensação, existe uma
dívida de 35 bilhões de reais.
Sempre se pode dizer: Não dá para comparar a Suíça
com o Brasil. Não dá mesmo - não é realista, não é lógico e é inútil. A Suíça é
uma coisa, o Brasil é outra, e não existe nenhuma previsão, pelo menos por
enquanto, de que fiquem mais parecidos algum dia em termos de conduta por parte
do poder público. Ainda assim, o caso das duas ferrovias oferece uma excelente
oportunidade para pensar um pouco nessa coisa ruim chamada governo. Tudo bem,
ninguém está querendo por aqui que os governantes tenham um desempenho
semelhante ao de lá; mas, francamente, também não há nenhuma obrigação de serem
tão ruins desse jeito. A Transnordestina, lançada em 2006 para ligar os portos
de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, além de abrir um novo acesso ao mar
para o interior do Piauí, deveria ser entregue em 2010. Não foi. Já estamos em
2016 e nada - não há no momento nem sequer um palpite sobre a data de entrega.
Descobriu-se que as obras foram iniciadas sem um projeto de engenharia
coerente.
Não existe nenhuma dificuldade geográfica especial
na área (nada de túneis a 550 metros de altitude, por exemplo), mas dos 1700
quilômetros da estrada só há trilhos em 600, onde não passa trem algum. Sua
função, no momento, é serem estragados pelo tempo ou furtados para a venda a
peso do seu aço. O novo túnel do maciço de São Gotardo, aberto ao público dias
atrás, foi entregue seis meses antes do prazo contratado e custou o que deveria
custar - o equivalente a pouco mais de 10 bilhões de dólares. Por uma dessas
coincidências da vida, a soma é praticamente igual aos 35 bilhões de reais de
dívida que as empresas estatais responsáveis pela Transnordestina têm a
apresentar como resultado de seus esforços até agora. Dá o que pensar. Quando a
Suíça resolve fazer uma estrada de ferro, as pessoas passam a andar de trem; no
Brasil, ficam devendo. É lindo, isso.
Também chama atenção, no caso, um fenômeno curioso,
que provavelmente só acontece no Brasil: quanto mais a tecnologia avança no
mundo desenvolvido, mais as obras públicas brasileiras demoram para ficar
prontas. Numa época em que a ciência da engenharia é capaz de vencer os mais
ingratos desafios da natureza, dentro dos prazos e dos orçamentos previstos, é
como se o Brasil estivesse vivendo no tempo da régua de cálculo e do trator a
gasolina; no ritmo de trabalho seguido pelos dois últimos governos, a Ponte
Rio-Niterói ainda estaria em obras. Estradas como a Transnordestina, segundo
apontou o TCU, apresentam vícios de construção e erros primários de técnica
ferroviária. A transposição de águas do Rio São Francisco é uma coleção de
ruínas. Usinas hidrelétricas geram energia inútil, porque não há linhas de
transmissão - e por aí se vai. Para piorar, o governo que não faz é o mesmo
governo que não deixa fazer, na sua paixão contra o resultado prático e no seu
pânico diante de qualquer benefício público feito pela iniciativa privada.
Nesse meio tempo, o mundo continua a girar. A primeira ferrovia do São Gotardo
é de 1882; por lá, já estão na terceira. Por aqui, a grande discussão é saber
se os que não fizeram vão voltar ao governo para continuar não fazendo."
Fonte: sítio da "Revista Ferroviária' - 14/06/2016, as 13:00Hs
http://www.revistaferroviaria.com.br/index.asp?InCdNewsletter=8225&InCdMateria=24737&InCdEditoria=2
Porquê não se pode comparar o Brasil com a Suíça??? O quê tem lá que não tem cá??? Simples: CULTURA CÍVICO SOCIAL - comportamento que deveria ser implantado e exortado pelos fomentadores e executores da educação, mas que foi eliminado dos currículos escolares logo no início dos "governos democráticos" pós 1988, pois norteavam as crianças e futuros eleitores para uma visão patriótica, cívica e crítica sobre a gestão pública e política do nosso País, o que prejudicaria os interesses políticos e de perpetuação dos ideais oligarcas, remanescentes da velha república. Sim, ainda existe isso no Brasil!!!
Posicionamento cidadão e visão social, para os nossos atuais congressistas e gestores, não devem ser estimulados ou disseminados entre a classe mais poderosa e a que mais rende votos nesse país, os pobres. O entendimento desses valores poderia causar a derrocada do atual conceito de "Governo Democrático" e poderia levar o país a um caos financeiro, provocado pela falência e perda de influência das grandes oligarquias políticas (Os Sarneys, os Cunhas, os Calheiros, os Barbalhos, os Lulas da Silva, etc...). Todos esses tiveram grande expressão em diversas fases políticas de nosso país e, da mesma forma, TODOS, nos dias atuais, são acusados de alguma forma de ato corrupto, enriquecimento ilícito e/ou fraude eleitoral (para não citar homicídio, coação e chantagem).
![]() |
| Onde está a seriedade da Justiça Eleitoral??? |
O que precisa ser mudado é a CULTURA DO MERCENARISMO SOCIAL, introduzida pelo socialismo assistencialista desregrado, que foi fecundada no governo FHC, mas gestada, parida, potencializada e politizada nos governos do PT. Mudanças essas que poderiam acontecer através de uma educação voltada para a cidadania, para a ética, para a moral e para a justiça, ordenadas pela nossa constituição Federal e cumpridas dentro dos rigores da lei.
As Leis brasileiras são abrangentes, só falta serem obedecidas pelos grandes influentes da nossa sociedade, pois os pequenos são duramente castigados por todas elas...






Nenhum comentário:
Postar um comentário