O General de Exército Rômulo Bini Pereira, ex-chefe
do Estado-Maior e atualmente integrando a reserva, publicou um artigo
intitulado "Vamos à guerra!" em resposta a recentes ameaças
proferidas pelo ex-presidente Lula. Bini ressaltou que o Exército jamais se
omitirá na defesa do povo brasileiro, da paz e da democracia. Leia abaixo:
"Vamos à guerra!"
Nos conflitos da humanidade, a pior e mais
sangrenta guerra é a entre irmãos. Ela deixa marcas indeléveis que impactam a
população dos países onde ocorre. A Guerra da Secessão, nos Estados Unidos, e a
Guerra Civil Espanhola bem demonstram os reflexos desses conflitos até os
nossos dias. Em nosso país as lutas fratricidas das décadas de 1960 e 1970
deixaram sequelas que impedem uma efetiva reconciliação e ainda perturbam o
atual cenário político.
Em manifestações sindicalistas na cidade do Rio de
Janeiro o brado de "vamos à guerra!" foi ouvido. Seu autor foi o
ex-presidente Lula - para muitos, um ato surpreendente e irresponsável de quem
conduziu os destinos deste país por oito anos. Em alto e bom som o
ex-presidente pregou a necessidade de uma posição agressiva para salvar a nossa
maior empresa, a Petrobrás, que estaria sendo predatoriamente destruída por
segmentos políticos oposicionistas. E acresceu os costumeiros e preferidos
chavões das esquerdas brasileiras quanto a um possível golpe institucional em
andamento, conduzido pela "zelite". Para se equiparar ao seu irmão
Nicolás Maduro, da Venezuela, só faltou criticar o "Satã do Norte",
os americanos.
Nessa sua defesa ele empenharia o "exército do
Stédile", os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST) que com manifestações em todo o País poderiam até desestabilizar as
instituições democráticas. As duas afirmativas do ex-presidente mais parecem um
conto interminável dos que nos governam há mais de 12 anos, ou uma fábula
surgida da fértil imaginação deles. O povo brasileiro não quer a destruição da
Petrobrás, um símbolo nacional. Ao contrário, quer todos os corruptos que se
apossaram da empresa no seu governo e no de sua afilhada, a presidente Dilma
Rousseff, julgados e condenados.
Não é compreensível que essas duas lideranças
políticas desconhecessem os graves problemas na empresa. Os órgãos
governamentais que as poderiam assessorar ou informar a respeito falharam em
sua missão ou não foram ouvidos. O "eu não sabia", costumeira
declaração desses mandatários, já se tornou um bordão e é motivo de ironias e
piadas nas redes sociais.
A segunda proposta do ex-presidente - infeliz e
semelhante às de agitadores de rua - é incendiar o País com o "exército do
Stédile" em defesa da Petrobrás e da democracia. Não se sabe se é a
democracia vigente ou a democracia totalitária preconizada pelo Foro de São
Paulo. É uma proposta, no mínimo, preocupante. O MST não é apenas um movimento
sindical que luta pela reforma agrária, sua permanente fachada. Ao ler seus
manuais doutrinários, confirmados pelas palavras de seus líderes, se conclui
que seu objetivo maior é a conquista do poder, se necessário com o uso da
força. A revolução e o regime cubanos são os exemplos a ser seguidos por esse
movimento.
A recente visita dos líderes dos "campesinos
venezuelanos", ligados ao governo de Maduro, bem identifica a postura
ideológica das duas organizações, com uma marcante diferença. Os
"campesinos" possuem armamentos e são considerados o braço armado do
governo venezuelano; o MST, até onde se sabe, não possui armamentos letais.
Em todos os governos da Nova República, as Forças
Armadas, particularmente o Exército, foram empregadas em missões de garantia da
lei e da ordem. São missões que envolvem riscos significativos, como as da
força de pacificação nas favelas cariocas e greves de policias militares. Elas
se caracterizam como medidas adotadas para evitar o descrédito e o aviltamento
dos órgãos governamentais, principalmente dos Estados. Ano a ano esse emprego
vem crescendo, não só em número de ações, mas também na sua vigência,
caracterizando-se, como se diz no jargão militar, a ultima "ratio regis", expressão
latina que evoca o derradeiro argumento dos governantes.
Manifestações de movimentos sociais - tais como as
de cunho radical ocorridas em meados de 2013 e agora essa convocação do
"exército do Stédile" - são verdadeiros fomentos para um real embate
de forças, e não de ideias. Iniciada por essa nova visão sectária do
ex-presidente Lula, uma confrontação num ambiente conturbado e acéfalo pelo
qual passa o Brasil, sem dúvida, poderá conduzir-nos a situações extremas.
Novamente as Forças Armadas serão chamadas a intervir e não poderão deixar de
cumprir o que preconiza o artigo 142 da Constituição da República.
Os novos comandantes das Forças, que gozam de alto
conceito entre os seus pares e subordinados, certamente não se calarão como
seus antecessores que adotaram uma atitude de silêncio obsequioso. Ela nos
impingiu a ignominiosa acusação a chefes militares como Castelo Branco, Eduardo
Gomes, Maximiano e tantos outros, que tiveram sua vida de integridade e
honradez enxovalhada pela Comissão Nacional da Verdade. Não houve sequer uma
nota de repúdio desses antigos comandantes.
As Forças Armadas fazem parte da sociedade
brasileira, que lhes concedeu o maior índice de credibilidade entre as nossas
instituições, superior até ao das religiosas. Elas não podem ser alijadas das
grandes decisões nacionais. Suas análises, seus estudos e pareceres deverão ser
obrigatoriamente ouvidos e considerados. Quem quer o seu silêncio são as
instituições comprometidas com ideologias retrógradas e objetivos nebulosos,
como o Fórum de São Paulo. Essa participação não é um ato de indisciplina nem
de arroubos golpistas. É um ato democrático de quem preza sobremaneira a paz e
a ordem.
| As Forças Armadas, muito mais do que uma Força de Guerra, são uma FORÇA DE PAZ!!! |
Entretanto, vale um alerta. Riscos ao nosso sistema democrático vigente, mesmo os de caráter sub-reptício, vindos de partidos políticos ou de quaisquer outras organizações, serão combatidos. Com base em nossa experiência e sem sermos presunçosos, reafirmamos que nossas Forças Armadas estarão à frente daqueles que enfrentarem as ameaças sem pronunciar bravatas, como essa abominável "vamos à guerra!".
Fonte: Jornal "Folha Política"
http://www.folhapolitica.org/2015/03/general-romulo-bini-responde-ameaca-de.html





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